A nova educação


Por Jaqueline Weigel

A educação está em cheque. É o novo segmento em disrupção. Na próxima década, precisaremos de profissionais empreendedores, capazes de lidar com as tecnologias físicas, digitais e biológicas. Inteligência Artificial, algoritmos, nanotecnologia, genética, robótica, learning machines são os novos assuntos do universo profissional.

Empreendedores digitais já ocupam seu espaço no planeta, com seus projetos criativos e arrojados. Nanodegrees, universidades avançadas, cursos rápidos capacitam uma legião de pessoas para o mercado futuro, em open badge (crachá aberto) não mais Curriculum Vitae, e estes grupos trabalham intensamente por um mundo em sua melhor versão.

Onde ficam nossas escolas, universidades e entidades ligadas à educação de profissionais para o mercado de trabalho? Já estão no passado. Não incentivo a desonra, pelo contrário, sou professora e filha de professor. O valor de um professor é inquestionável, mas ele, junto como sistema educacional, precisa se manter capaz de continuar educando as novas gerações em uma nova realidade. Nossas escolas continuam derramando conteúdo passivamente, incentivando a validação do conhecimento apenas, avaliando a capacidade do aluno através de provas e trabalhos que na maioria das vezes serão irrelevantes na vida futura do aluno.  Há pouca integração com tecnologias que vão muito além de acesso a computadores e à informática. Conversando com alunos de escolas tradicionais, o único desejo que existe é o de passar pelos testes para se livrar do que eles mesmos já qualificam como conteúdo obsoleto e ensinamento irrelevante.

Há aqui uma preocupação ainda maior: nossos educadores não estão preparados para falar o idioma da nova geração, muito menos para inspirar-lhe algum tipo de aprendizado no novo mundo que se desenha mais consistente a cada dia. E isso classificamos como de perda de valores, geração descomprometida e rebelde. A geração de jovens atuais é a geração mais corajosa e comprometida que já conhecemos!

A chave virou. A educação reversa diz que o aluno tem muito mais a ensinar do que o professor, que deveria apenas extrair e ajudar o aluno a revelar seu potencial de aprendizado.

As escolas do futuro são inteligentes, digitais, lúdicas, gamificadas. Entendem o mundo do aluno, sua forma de aprendizagem e a personalizam distribuindo responsabilidades desde cedo. Pessoas responsáveis não precisam de controles, ou de avaliações, que acaba abalando a autoestima e criando referências equivocadas. As novas escolas atraem o aluno, o incentivam a pensar e a assumir as nuances do seu aprendizado.

No mundo dos adultos, RHs, T&Ds e profissionais insistem em optar por modelos antiquados de treinamento ou cursos que nada mais são do que a repetição do modelo de escola infantil: despejo de conteúdo. Nas empresas o investimento feito no desenvolvimento das pessoas que fazem o negócio acontecer é mínimo, pífio e vergonhoso.

Palestras motivacionais não geram nada mais do que algumas momentos de descontração. Cursos onde o professor que é especialista em conteúdo do passado derrama seu conteúdo é equivalente a assistir um programa de televisão. Inócuo. Em termos de aprendizado digital e acelerado, melhor seria não fazer coisa alguma. Confundiria menos.

Educar é conduzir, guiar o aprendizado do outro. Educadores com modelo mental obsoleto não serão capazes de guiar millennials com um novo modelo mental, uma forma diferente de ver a vida e veia de empreendedorismo social fortíssima. Não classifique as crianças como vilãs, nem os jovens como sem valores. Novos talentos sequer se submeterão a avaliações e práticas de RH, muito menos a educadores que em vez de revelar potencial o atrofiam. Não acho que a educação sozinha mudará o Brasil. Para mim tudo começa com a mudança do modelo mental, do pensamento, da atitude perante o novo. A troca do poder é necessária. Novos atores precisam liderar a educação no Brasil, ou ficaremos ainda mais atrasados em relação ao mundo.

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